Moda - 04/07/2014

O estranho na moda

Bizarro. Estranho. Nonsense. Essas palavras intitulam bem o semblante das pessoas ao assistirem desfiles de moda pela televisão ou redes sociais. “Eu não usaria isso!” ou “Ninguém veste essas roupas” são frases típicas da maior parte da população brasileira e mundial ao se deparar com roupas de sentidos subjetivos, abstratos ou totalmente objetivos outrora.

A ridicularização dos desfiles de moda começa a partir da ignorância em não entender a moda como, também, um meio artístico de comunicação. De maneira rudimentar o mundo da moda pode ser segregado em: moda conceitual e moda comercial. Ambos os nomes dão clareza aos seus ideais, a moda comercial é aquela que atinge o mercado e são os produtos geralmente consumidos por nós através da loja e grandes magazines, por outro lado, a moda conceitual, a partir de conceitos e temáticas, elabora uma coleção de moda com o propósito de transmitir suas pesquisas, percepções e concepções, ideias, inspirações e inovações por meio de formas, silhuetas, materiais, modelagem, texturas, cores e beneficiamentos; além da produção como cabelo, maquiagem e adornos.

O intuito dos estilistas que trabalham com moda conceitual não é vender as peças que exibem nas passarelas de fashion weeks, e sim informar, através de um cenário feérico, quais serão as novas tendências agregadas pela coleção, ou seja, se a roupa possui padronagens florais de pequena proporção – estampa liberty para os mais conhecedores – essas serão as estampas presentes nas peças que serão comercializadas posteriormente pela marca. Assim aconteceu com o xadrez que foi uma tendência muito presente nos últimos anos, o camuflado e a renda, por exemplo.

Para aqueles que desejam acompanhar as tendências sazonais de Alta Costura e grandes marcas, é necessário ampliar a visão acerca do mundo da moda e suas rotulações (comercial versus conceitual) e identificar através do “estranho” e “exótico” o real contexto do cenário reproduzido nas passarelas, e assim decodificar as inspirações e ideias que levaram ao estilista à criação das coleções.

“Moda não é arte” como muitos dizem, entretanto, essas criações podem ser tão engenhosas que são dignas de serem consideradas obras primas.